SETE DIAS DE CAMINHADA, Poema de Mauro Pereira-Silva. Do livro A Casa da Memória
SETE DIAS DE CAMINHADA, Poema de Mauro Pereira-Silva.
SETE DIAS DE CAMINHADA
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urante sete dias andei descalço. Longe de mim e dos esboços que antes vira, simulacros deste que vejo no espelho mas não sou eu. Rumo ao imenso vagão, pálpebras sublinhando o horizonte cortado de fumaça e gelo.
Desenhos, apostas, adornos que faço numa camisa de brim descolorida.
Durante este tempo desenhei em mim mesmo uma veste, uma caverna poderosa onde poderia me esconder dos dias e dos homens. Carreguei cargas além de minhas forças. E minha única afirmação era: ainda existo, ainda caminho, ainda olho, itinerante e solitário. A fome não era nada, ramagens me acordavam, exalando cheiros quase líquidos.
Do outro lado de mim, um rio, uma grande história. Um rígido silêncio jogado no horizonte. Murmúrio, apenas.
O tempo desperto e na pele. Uma mesa, meu peito, uma última história fechando a janela e suas penumbras. Só eu me calo.












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