Neste leito de ausência em que me esqueço, Poema de Ferreira Gullar, do livro "A Luta Corporal"
Neste leito de ausência em que me esqueço, Poema de Ferreira Gullar, do livro "A Luta Corporal"
Neste leito de ausência em que me esqueço
desperta o longo rio solitário:
se ele cresce de mim,se dele cresço,
mal sabe o coração desnecessário.
O rio corre e vai sem ter começo
nem foz,e o curso, que é constante, é vário.
Vai nas águas levando, involuntário,
luas onde me acordo e me adormeço.
Sobre o leito de sal, sou luz e gesso:
duplo espelho – o precário no precário.
Flore um lado de mim? No outro, ao contrário,
de silêncio em silêncio me apodreço.
Entre o que é rosa e lodo necessário,
passa um rio sem foz e sem começo.












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